segunda-feira, 1 de julho de 2013

O meu Avô

Um ano depois voltei a este blog, para escrever mais umas linhas.
Decidi que a partir de agora não irei seguir uma lógica. Virei aqui escrever sobre fases da minha vida que me venham à memória.
Então hoje irei escrever sobre o meu avô paterno, o "Ti" Vitorino. 
Recordo-me que era uma pessoa muito meiga, que apenas caminhava agarrado às suas bengalas, pois a sua idade e o reumatismo já não permitiam andar sem este precioso apoio. Mesmo agarrado à sua bengala, ainda muitas vezes me acompanhou, ou eu a ele, a guardar as vacas.
Recordo-me que quando chegávamos ao local, onde elas iam pastar, sempre me dizia que devíamos dar uns berros para afugentar possíveis lobos que estivessem escondidos no mato e que poderiam atacar as ovelhas e as cabras que andavam juntas com as vacas.
A fazer nos companhia, andava sempre um cão magnifico, muito meigo, de cor amarela. Chamava-se "Patusco"e a sua missão era precisamente proteger as ovelhas  e cabras dos ataques dos lobos. E não raras vezes se envolveu em lutas com estes, mas sempre defendeu os seus com sucesso.
Infelizmente a ultima imagem que tenho desse bom Homem, é uma imagem de sofrimento: primeiro os problemas de bexiga, havendo a necessidade de ser algaliado, o que lhe provocava imensas dores, mas que ele guardava para si e dificilmente se lhe ouvia um "ai".
Depois já na fase terminal, e após ter ficado acamado, as chagas que lhe consumiam o corpo, mas que ele encarava com uma naturalidade fora do normal. Se havia alguém que sofria sem se queixar era o meu avô.
O meu avô rezava muito o Terço, e lembro-me de ele nos dizer tantas vezes "anda cá ver Nossa Senhora. Ela está ali a olhar para mim".
Não são muitas as memórias, infelizmente, mas são boas, e sei que lá onde Ele está é uma das estrelas que me guia, e espero que ele tenha tanto orgulho em mim como eu tenho Nele.

Sem comentários:

Enviar um comentário